LUGAR COMUM
Situar
a escultura na contemporaneidade é um desafio constante para os artistas que
operam com a espacialidade tridimensional. Muitas vezes, imbuídos pela angústia
pós-moderna, inquiridora dos limites entre os meios expressivos tradicionais,
geradora da aparente obsolescência de linguagens como a pintura e a escultura
por exemplo, o meio de arte rotula nova nomenclatura derivada da escultura-objeto,
instalação, body art, arte ambiental... , na inquieta tentativa de acompanhar
os desdobramentos plásticos e conceituais do fazer escultórico.
Se numa síntese optássemos por uma definição que desse conta de unir todas
essas derivações em um lugar comum - a escultura - talvez pudéssemos comprimir
a questão falando em fisicalidade do volume, como código específico da linguagem.
Ou ainda, à luz da pertinente conceituação de Rosalind Krauss, quanto à abertura
do campo ampliado da escultura contemporânea, falar na combinação de exclusões
entre o construído e o não-construído, o natural e o cultural . Enfim, a tridimensionalidade
real simplifica e ao mesmo tempo abarca o que de fato é
uno e singular na escultura: o entorno da forma, o olhar circundante e os
ângulos multifacetados pela liberdade individual dos movimentos da visão.
A arte contemporânea conquistou esta maleabilidade entre o corpo, o espaço
e o conceito da obra de arte e, ao esgarçar as fronteiras entre as linguagens,
deixa para trás o compromisso com o monumental e o comemorativo, conferido
à escultura através dos tempos, ou simplesmente dispensa a demarcação do espaço
fixo legado pelo pedestal sacralizador.
O encontro entre Eliane Carrapateira, Haroldo Barroso, Icléa Eccárd, João
Wesley, Marcos Caldas, Marcelo Cardoso, Maurício Bentes, Ricardo Campos e
Ricardo Pimenta, intercepta a possibilidade de crença na potência perene da
escultura em si e da preponderância que esta vertente lingüística tem no percurso
das trajetórias destes artistas, que vêm resgatando o tônus desta velha expressão
em suas obras.
Se a escultura é o lugar comum entre eles, a diversidade plástica e material
garante uma visualidade múltipla, estimulada por contrastes texturais e volumétricos,
materializados por elementos clássicos, como o ferro e a madeira, precários,
como o papel e o plástico, e tecnológicos, como a luz.
Kátia
de Marco
Curadora
Coordenadora da Niterói Artes
(1) KRAUSS, Rosalind. A escultura no campo ampliado. Revista Gávea da Pontifícia Universidade Católica - PUC. Rio de Janeiro, 1995.

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