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A FAVOR DA MARÉ
Abertura: 03 de dezembro - sexta-feira - 12h30
Visitação até 17 de dezembro
2ªa 6ª das 10 às 17 horas (exceto feriados)

Após ingressar no mestrado em Bens Culturais e Projetos Sociais do CPDOC da FGV, tive a oportunidade de conhecer pessoas que me tocaram de maneira especial. Entre elas, chamaram-me a atenção três moças originárias da Maré que se sentavam à esquerda da sala de aula e se mostraram dotadas de muito boa articulação de pensamento e verbalização. Participavam dos debates propostos, enriquecendo-os com seus comentários e observações, que por vezes me faziam refletir a respeito da trajetória por elas percorrida.

Claudia Rose Ribeiro da Silva, Lea Sousa e Silva, e Elionalva Sousa Silva conseguiram superar as adversidades próprias das comunidades populares e ingressar no curso de mestrado da FGV, consolidando mais uma conquista para o universo de uma comunidade que luta contra os estigmas que a sociedade lhe impõe.

Reunindo esforços em conjunto com os moradores e ex-moradores das 16 comunidades que formam o bairro, essas filhas da Maré ajudaram a criar o Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM), uma organização não-governamental que tem como missão construir ações comunitárias que visam à melhoria da qualidade de vida e à superação dos problemas decorrentes do preconceito que os habitantes da Maré sofrem por parte da sociedade.

Para tanto, o CEASM desenvolve projetos nas áreas de educação, cultura e comunicação. Destaca-se entre esses projetos a REDE MEMÓRIA DA MARÉ, que busca registrar, preservar e divulgar a história da Maré com o objetivo de construir uma identidade comum entre seus moradores.


A violência que hoje toma conta de toda a cidade é mais ostensiva nas comunidades populares. Ela coloca em risco a vida de crianças e trabalhadores, que trafegam entre grupos armados e dividem o sentimento de orfandande e desvalorização da vida. Por não ser possível o enfrentamento direto com esses grupos, a ação comunitária do bairro luta a favor da Maré contra os preconceitos, buscando o direito à cidadania, o reconhecimento de sua dignidade, de seus valores essenciais e a preservação de sua memória coletiva.

Monica Chateaubriand D. Pires e Albuquerque