Dica nº 11 - Sobre Linguagem Técnica e Linguagem Literária

27/12/2017 - 10:26

Dica nº 11 - Sobre Linguagem Técnica e Linguagem Literária

Linguagem técnica é a linguagem específica de uma determinada área do conhecimento. Caracteriza-se pela clareza, concisão e correção gramatical, com emprego de termos próprios do assunto em questão. O objetivo é exprimir univocamente, fazer compreender, e não impressionar. É, por exemplo, a linguagem usada no ambiente profissional por engenheiros, médicos, advogados, auditores etc. É a linguagem dos relatórios e demais documentos produzidos no âmbito da administração pública.

Linguagem literária é a que apresenta certas características como  variabilidade, complexidade, palavras empregadas em sentido conotativo, pluralidade significativa e liberdade de criação. A linguagem literária, embora mantenha estreita relação com o discurso comum, diferencia-se pelo uso de metáforas e outras figuras de linguagem, Sendo uma criação artística, busca a forma inusitada, a construção de novos significados e o prazer estético do leitor, provocando emoções vinculadas à experiência de cada um. O discurso literário permite múltiplas leituras, não tendo, portanto, compromisso com a transparência.

É sempre bom fazermos uma pausa em nossas tarefas e atribulações cotidianas para nos dedicarmos à fruição de belos textos literários. Faz bem à alma e nos deixa prontos para novos embates.

Poeme-se

Poeme-se

Leminski-se

Drummond-se

E que o mundo

Quintane-se...

 

Musique-se

Buarque-se

Lenine-se

E que o mundo

Caetane-se. 

                      (Poema de Vânia Jordão)

Não te amo mais

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase:
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...

                                     (Poema de Clarice Lispector)
 

Obs. Experimente ler o poema de baixo para cima e todo o sentido do texto se inverterá.

Temos informação de que muitos colegas do TCE-RJ, a par do domínio da linguagem técnica, em que redigem relatórios e demais documentos oficiais, desenvolvem um viés literário, produzindo, em momentos de introspecção, belíssimas poesias.

Para estimular essa produção que, de algum modo, precisa ser divulgada, transcrevemos neste espaço dois sensíveis trabalhos de nossa colega Ana Cecília, lotada na ECG:

 

O Tempo

No passar das horas

No correr da semana

No crescer dos cabelos

O tempo

A me consumir

Me inquietar

Me cismar

De que tudo passa

Até eu

 

Feito Flor

As flores da janela

Polinizam meus olhos

Em meu rosto

Dois botões de margarida

Para enxergar beleza no dia

Pássaros me pousam